Arquivado em: _10. a conclusão
Nesta fase final, posso dizer que descobri da pior forma que a premissa em que assentou todo o trabalho estava errada. Penso que, depois de analisada a minha experiência, a cooperação com o cliente acabou por dificultar e prolongar o trabalho.
O resultado que obtive foi obviamente condicionado pelas pessoas nele envolvidas. Houve, com certeza, falhas de ambas as partes, tanto dos elementos da banda como minhas. Outra das condicionantes foi o facto de este ser um trabalho gratuito. Todo o trabalho acabou por tornar-se num favor que eu fiz à banda e noutro que a banda me fez a mim. Esforcei-me por levar o projecto de forma a que todas as decisões fossem tomadas em conjunto. No entanto, agora vejo que talvez o método habitual de mostrar o projecto durante a sua evolução possa suscitar um feedback positivo mais facilmente do que se expusermos apenas uma ideia para discussão.
Por outro lado, não podemos esquecer o facto de que este trabalho foi para uma banda de garagem em início de carreira. Os seus objectivos, bem como a imagem que desejam transmitir ainda não estão claramente definidos. Hoje em dia, a maioria dos designers já não tem a mesma sorte que Vaughan Oliver há uns anos, quando muitas das bandas não tinham grande preocupação quanto à sua imagem. Hoje, personalização é a palavra-chave. Os artistas esforçam-se por afirmar a sua individualidade cada vez mais através da imagem. A roupa que vestem, o penteado que usam, as letras das músicas, as capas dos álbuns, tudo faz parte daquilo que querem transmitir ao exterior. É aqui que o papel do designer se revela fulcral. No entanto, como criar uma imagem sem saber o que o artista quer transmitir através dela?